Posted on: 18 de julho de 2026 Posted by: Teia dos Povos Comments: 0

“Esperançar É Continuar Caminhando Juntos”

A 32ª FEICOOP – Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária que aconteceu entre os dias 10, 11 e 12 de julho de 2026 no município de Santa Maria RS, reafirmou seu papel como a maior Feira de Economia Solidária da América Latina e como um dos mais importantes espaços de encontro, intercâmbio e construção coletiva entre empreendimentos, movimentos sociais, organizações populares, povos tradicionais, instituições e redes comprometidas com a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Mais do que um espaço de comercialização, reunindo mais de 500 empreendimentos, 17 caravanas e 3 países, com diversos espaços de formação e apresentações culturais, consolidou a 32°FEICOOP, como um território de articulação política, onde diferentes experiências puderam compartilhar saberes, fortalecer vínculos e construir estratégias comuns diante dos desafios enfrentados pelos povos e comunidades que defendem outra forma de produzir, viver e cuidar da vida. Ao longo da feira, ficou evidente que o fortalecimento da Economia Solidária depende da ampliação das alianças entre redes, fóruns, cooperativas, associações, coletivos e movimentos populares, capazes de atuar de forma integrada na defesa da autogestão, da soberania alimentar, da agroecologia, da justiça social e dos direitos dos povos.

A feira evidenciou que apenas com uma aliança permanente entre os povos, organizações, movimentos sociais, poderemos ter força para enfrentar a concentração de terras, a mercantilização da natureza, a exploração do trabalho, o avanço do agronegócio e da mineração sobre os territórios e as mudanças climáticas. 

A Economia Solidária demonstrou, mais uma vez, que representa muito mais do que um modelo alternativo de produção e comercialização. Ela constitui um projeto político de transformação social, fundamentado na autogestão, na cooperação, na reciprocidade e na defesa da vida. Nos diferentes territórios da América Latina, a Economia Solidária tem fortalecido processos de autonomia econômica, organizativa e política das comunidades, permitindo que os próprios povos construam alternativas ao capitalismo.

Essa perspectiva fortalece a soberania dos territórios, pois incentiva formas coletivas de produção, circulação e consumo que valorizam os conhecimentos ancestrais, a agroecologia, as sementes crioulas, os sistemas alimentares locais e a proteção dos bens comuns. Ao promover circuitos econômicos solidários e relações baseadas na confiança e na cooperação, amplia-se a capacidade das comunidades de permanecer em seus territórios, garantindo condições dignas de vida sem abrir mão de sua identidade cultural, espiritual e de suas formas próprias de organização.

Nesse contexto, a presença da Teia dos Povos no Túnel dos Movimentos Sociais na FEICOOP, teve grande relevância política e simbólica. O espaço possibilitou apresentar ao público a diversidade de povos, territórios, culturas e formas de organização que compõem a Teia, reunindo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses, sem terras, povos de terreiro, comunidades periféricas e diversos projetos que constroem a resistência em defesa da vida e dos territórios.

A participação da Teia dos Povos ampliou a visibilidade das lutas por autonomia, terra e território, reafirmando que não existe Economia Solidária sem o reconhecimento e a garantia dos direitos territoriais dos povos. Os territórios são espaços onde florescem os conhecimentos ancestrais, a produção agroecológica, as práticas de cooperação e as economias comunitárias que sustentam a vida.

A experiência vivida durante os três dias de evento, também fortaleceu o compromisso de ampliar as redes de cooperação entre os diferentes sujeitos da Economia Solidária. Orientadas pelos princípios da solidariedade, apoio mutuo e da autogestão, a Rede de Economia Solidária da Teia dos Povos, esta sendo desenvolvida para abrir caminhos de atuação conjunta, articulando ações de formação, comercialização, incidência política defesa de direitos criando renda digna e autonomia financeira para os territórios.

Para nós, a 32ª FEICOOP reafirmou que construir alianças é fortalecer a capacidade coletiva de enfrentar as desigualdades,  as crises climáticas, defender os territórios e criar projetos populares que garantam a dignidade e as soberanias dos povos. A Rede de Economia Solidária da Teia dos Povos contribuiu para expandir esse horizonte, demonstrando que a Economia Solidária se fortalece quando reconhece a diversidade dos povos e coloca no centro de sua prática a luta pela autonomia, pela terra, pelos territórios e pelo bem viver. Dessa forma, a FEICOOP renovou o compromisso de seguir tecendo redes de cooperação capazes de unir diferentes experiências em torno da defesa da vida, da justiça social e da construção de um futuro baseado na solidariedade entre os povos.

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