Posted on: 15 de dezembro de 2025 Posted by: Teia dos Povos Comments: 0

Mari mari kom pu lamgen ka pu peñi,mari mari kom pu che.
Muleayiñ Puelwilli mapu mew
Xipay ñeayiñ dungun.


Saudações a todos os irmãos e irmãs, a toda gente.


Desde Puel willi mapu, (sob a administração do Estado Argentino) Patagônia Sul, dizemos:
Nestes dois últimos anos se intensificou a perseguição e criminalização contra nosso povo-nação
mapuche. A ditadura racista caminha firme até um apartheid, nos despojando de todos nossos direitos,
pretende nos arrancar de nossos territórios. Estão levando adiante fraudes judiciais, fundadas em
mentiras e propagandas racistas para obter consenso social às suas políticas segregacionistas. A
Argentina é uma sociedade racista. Este estado se fundou sobre um genocídio contra os povos
indígenas e ao longo da história não tem um só governo que condenou as políticas militares de
extermínio. A impunidade gera a reiteração dos atos. Agora na Argentina, as políticas de morte já não só
atentam contra a vida mapuche, mas também contra todas as vidas.

Eles vêem pela água

Os acordos ocultos com Mekorot, levados a cabo pelo governo de Milei e respaldado por doze
governadores, busca lhes dar o controle da água a esta empresa israelense, acusada de apartheid
hídrico na Palestina. Quer dizer, vão pôr nas mãos genocidas o direito à água, quem controla a água
controla a vida. Agora também investem contra os glaciais. Os glaciais não são renováveis, aqueles que
uma vez desapareçam não vão voltar a existir. Em tempos de crise climática que gera o aquecimento
global mais temível da história, os glaciais são um fator fundamental para a regulação da temperatura do
planeta. Destruir os glaciais para que empresas mineradoras obtenham lucros oferecendo aos povos
pobreza, contaminação e morte é uma decisão própria de um estado terrorista.


Estes são os verdadeiros motivos por trás das desocupações que vêm ocorrendo contra nosso povo. Os
presos políticos mapuche, os mandatos de busca violentos e desmedidos como o de 11 de fevereiro na
Província de Chubut, as detenções arbitrárias de gente inocente, o assassinato de Rafael Nawel e Elias
Cayicol, a acusação de terrorismo ao povo mapuche, tudo isso é um cenário armado para facilitar o
avanço de morte contra a natureza. O povo mapuche é um com a terra, como gente da terra,
defenderemos a vida frente a esta investida voraz do sistema terricida.


É por isso que hoje, 9 de dezembro de 2025, fomos à promotoria da cidade de Esquel Chubut.
Entendemos que o aparato legal tem se convertido em uma ferramenta repressora e justificadora das
políticas assassinas. Neste momento histórico, o único medo que temos é não evitar estas aberrações.

Exigimos:

  1. Que se declare a nulidade da causa “Mirantes…”, causa inventada para tapar os verdadeiros
    autores dos incêndios na Patagônia;
  2. A restituição de todos os elementos sequestrados e roubados pelas forças policiais nesse dia;
  3. Que se declare o absoluto não do uso de nosso DNA. Mais de 60 pessoas, nesses 12 mandados
    de busca, foram obrigadas a fazer exames com coleta de amostras de DNA. Isto não é só ilegal
    como também está condenado em tratados e acordos internacionais.
  4. O reconhecimento do território Lof Catriman-Colihueque, que se desative a resolução do Instituto
    Autárquico de Colonização e Fomento Rual (IAC);
  5. A desmilitarização de nossos territórios;
  6. O reconhecimento, respeito e a aplicação dos direitos indígenas;
  7. A restituição dos territórios desapropriados do pu lof mapuche;
    E expressamos solidariedade com os povos indígenas em luta e com o povo de Mendonza, somamos
    nossa voz em forte grito: Amunge Fewla Mekorot!! Fora Mekorot já!

Nos opomos de maneira determinante à revogação da Lei dos Glaciais e pedimos à Argentina e a todos
os povos indígenas: coragem, decisão e unidade para cuidar da vida, porque se não é agora, quando
será? Aos glaciais NÃO se tocam!

Comunidade Mapuche Pillañ Mawiza

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