Publicado originalmente en Desinformemonos.org/6 enero 2026
Cidade do México | Desinformémonos. No marco do 32º aniversário do levante do Exército Zapatista de Libertação Nacional, comunidades autônomas, bases de apoio zapatistas, povos do Congresso Nacional Indígena e pensadores críticos se reuniram no Centro Indígena de Capacitação Integral, Universidade da Terra, para analisar a guerra contra os territórios, o avanço dos megaprojetos e os processos de militarização que acompanham esses projetos no México.
Durante os diálogos do semillero “De pirâmides, de histórias, de amores e, claro, desamores”, as reflexões se concentraram em como as reformas constitucionais impulsionadas nas últimas décadas enfraqueceram os direitos dos povos originários. Foi exposto que as mudanças legais nas áreas agrária, extrativa e de defesa jurídica têm servido para justificar o despojo de terras e a exploração dos bens naturais, sob o discurso de desenvolvimento e segurança jurídica.
Nesse espaço, a advogada Bárbara Zamora, assessora do Exército Zapatista de Libertação Nacional durante os Acordos de San Andrés Larráinzar de 1996, advertiu que muitas reformas aparentam ampliar direitos, mas, na prática, concentram poder. “À Constituição foram feitas centenas de reformas que, na aparência, concedem direitos, mas que, no fundo, têm a finalidade de exercer maior poder e eliminar direitos que antes haviam sido concedidos”, afirmou, ao explicar que as modificações na Lei Agrária facilitaram a entrada de empresas imobiliárias, turísticas, mineradoras e petrolíferas em territórios ejidais e comunitários.
Também foi alertado que a ampliação das funções das Forças Armadas em tarefas de segurança pública aumenta o risco de despojo, ao normalizar a presença militar em comunidades indígenas e corroer o tecido social. A isso se somam as recentes modificações à ação de amparo, que limitaram seu uso para barrar megaprojetos, como ocorreu com o chamado Trem Maia. As atividades foram concluídas com a comemoração do 32º aniversário do levante zapatista no Caracol de Oventik, nos Altos de Chiapas.
