Posted on: 14 de janeiro de 2021 Posted by: Teia dos Povos Comments: 1

Por: Fórum Popular da Natureza Núcleo Baixada Santista

A Baixada Santista é uma região metropolitana localizada no litoral do Estado de São Paulo e abrange 9 cidades: desde Bertioga, mais ao norte, passando por Guarujá, Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Itanhaém e Mongaguá, até chegar em Peruíbe, ponto mais ao Sul.

Por ser a região litorânea mais próxima de quem vem da capital e interior do Estado, recebe milhões de turistas anualmente, que vêm desfrutar fins de semana e férias ensolaradas nas praias e cachoeiras, além de receber muitas pessoas que decidem desacelerar e mudar para longe da capital com os “confortos” de cidade grande. Na cabeça de muitos, é o local perfeito para se viver.  A verdade é que, por trás de todas as qualidades, existe uma série de projetos em curso – seja pelo descaso ou em conjunto com a iniciativa privada – que coloca a saúde e vida da população e da natureza em risco.

Podemos começar falando sobre o projeto de instalação de uma incineradora de lixo na área continental de Santos. Um projeto vendido por empreendedores e por políticos que o apoiam como sustentável, mas com potencial altíssimo de contaminação da população, dos rios, manguezais, fauna e flora e que impacta diretamente a vida dos milhares de trabalhadores de reciclagem.  Outro empreendimento altamente ameaçador é o que estamos chamando de navio bomba, um complexo que terá um navio tanker com capacidade de 85 mil toneladas de gás e conteúdo energético equivalente a 55 bombas atômicas de Hiroshima. O empreendimento será localizado dentro do canal do porto em Santos, próximo à cidade, com tubulações passando por rios e áreas de preservação em Cubatão e impactando o ganha-pão dos pescadores artesanais. Falando em impactos em pesca artesanal, não podemos deixar de citar também a indesejada transposição do Rio Itapanhaú. A obra da SABESP quer transpor esse importante rio de Bertioga (que é responsável pela manutenção de diversas áreas de manguezais e restinga, além de atividades de pesca e turismo ecológico) para a represa Biritiba Mirim, no Sistema Alto Tietê. Tudo isso com o aval da CETESB, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, que deveria fiscalizá-lo e protegê-lo.

O descaso do poder público com a questão da moradia também é enorme. Existem centenas de famílias lutando pelo direito à moradia, como nas ocupações urbanas 11 & 13 e Bela Vista; a luta por demarcação de terra e reconhecimento dos indígenas da aldeia Paranapuã que habitam o Parque Estadual Xixová-Japuí em Praia Grande e que estão sob ameaça de despejo e sofrendo diversas violações de direitos básicos, como não poderem exercer atividades de caça e plantio e não receberem visitas sem a autorização da administração do Parque. Aqui também está localizada a maior favela de palafitas do país, o Dique da Vila Gilda, em Santos, com mais de 6 mil famílias negligenciadas vivendo em riscos de saúde devido à falta de saneamento básico e de perderem tudo com altas da maré, incêndios e chuvas. Aliás, chuvas são um perigo constante, seja por alagamento, seja por deslizamento de terra nos morros que destroem casas e famílias a cada verão.

O cenário é caótico e, enquanto todos esses problemas estão escancarados, a Prefeitura se vangloria em colocar na orla da praia totens artísticos para identificação dos canais em Santos. Existem muitas ameaças e descaso, mas não poderíamos encerrar sem dizer que existem muita luta e resistência. Comunidades se fortalecendo, lutando pelos seus direitos e se constituindo enquanto seres políticos. Lideranças comunitárias, ambientalistas, assistentes sociais, educadores, comunicadores, advogados, engenheiros e outros tantos moradores, trabalhadores e estudantes de diversas áreas que dedicam muito de sua vida para resistir aos desafios cotidianos impostos pelo capitalismo e seu desenvolvimento. Não nos contentamos com o que está posto, com as propostas que são oferecidas e estamos queremos lutar sim por outras alternativas de existir no mundo. Vai ser difícil, vai ser cansativo e vai levar tempo. Mas vai valer a pena.

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  1. Oii, faço parte de um projeto educacional socioambiental em uma escola pública de Cubatão (SP), consigo fazer algo com os alunos junto de vocês? Gostaria de saber um pouco da luta ambiental aqui na baixada santista.
    São cerca de 20 estudantes do 8o ano da Fundamental.

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