Posted on: 12 de agosto de 2020 Posted by: arkx Brasil Comments: 0

Na Cidade de Deus (RJ) encurralada entre a COVID, a fome e a PM genocida, a Frente CDD dá exemplo da juventude que luta!

20/05/2020

“Eles são genocidas e nós somos alvos do Estado! Nós é preto! Você acabou de distribuir 200 cestas básicas, eu não vou te perder mano!”

Hoje estivemos no Pantanal para entregar 200 cestas básicas e ao final começou uma operação da polícia, 19:00 da noite, muitas pessoas ainda nas ruas e nos vimos em meio ao tiroteio!

Buscamos abrigo em casas de moradores que nos acolheram (agradecemos todo o apoio).

A gente entrega cestas básicas, fazendo um trabalho que é responsabilidade do Estado, levando alimento para as famílias e ainda corremos risco de virar estatística!

É isso que o Estado faz: operação policial em meio a Pandemia e durante uma ação de entrega de cestas básicas na Favela da Cidade de Deus, RJ.

Abril de 2020

A Frente CDD (Cidade De Deus) é uma união de várias ONG, projetos e moradores, com objetivo de combater a COVID-19.

No meio de março, começamos a distribuir um kit de limpeza: detergente, papel higiênico, sabonete, desinfetante. Nossa prioridade era as pessoas se manterem limpas.

No começo de abril, começamos a distribuir cestas básicas. Com a virada do mês, as coisas começam a apertar mais.

Já são mais de 1.400 kits de limpeza e 400 cestas básicas distribuídas até esta manhã de 08/04.

Para distribuir o kit limpeza, vamos de porta em porta, para evitar aglomerações conforme a orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Para a cesta básica, duas horas antes distribuímos senha. Pegamos nome, telefone e endereço. E avisamos local e horário, também para evitar aglomeração.

Forma-se a fila, obedecendo 1 metro de distância. E entregamos a cesta básica. Isto a gente faz tudo de máscara e de luva.

Agosto de 2020

A Frente CDD atendeu mais de dez mil famílias diretamente, além de cinco mil famílias indiretamente. A gente doa também para instituições parceiras. A gente faz um trabalho conjunto com todas as instituições da comunidade. E até de fora.

No final de julho, fomos até Paraty, onde levamos 20 cestas básicas para uma aldeia indígena.

Diminuímos um pouco o ritmo de entrega de cestas básicas, e hoje atendemos com água potável. Uma demanda muito grande na Cidade de Deus e em toda a cidade do Rio de Janeiro.

Continuamos a distribuir o kit de higiene pessoal, composto de: gel, xampu, sabonete.

Ao longo desses meses tivemos alguns empecilhos. Um deles foi bem chato. Estávamos fazendo uma ação no Pantanal, e a polícia entrou.

Foi o que aconteceu com a gente. Ficamos todos em meio ao fogo cruzado. Não ficamos mais expostos porque os moradores colocaram todos nós para dentro de suas casas.

Este fato foi bastante publicado na mídia, mas é algo corriqueiro. Porque nas comunidades, assim como semana passada no Morro do Macaco, a polícia entra atirando. E atira. E atira em qualquer um.

Neste episódio teve uma morte de um morador da Cidade de Deus.

Mas seguimos, porque não podíamos parar. Senão iríamos fazer o que o Estado quer. O Estado não atende a favela, e não quer que grupos atendam. E a Frente CDD decidiu que vai seguir, por muito tempo.

Somos nós por nós e pelos nossos com a ajuda de vocês.

Onde falta alimento também falta água!

 Durante a pandemia e até mesmo antes dela, a água potável sempre foi algo em falta para muitos moradores da favela.

Estivemos em alguns locais da Cidade de Deus entregando galões d’água para muitas famílias terem água potável para beber.

Ação: Moto taxistas da CDD – 15 de julho

A ação foi organizada respeitando o distanciamento e as recomendações da OMS. Todos usando máscara e cadastrados para nossa ação.⠀Agradecemos a todo o apoio vindo de pessoas e instituições. Um agradecimento especial ao @institutounibanco pelo apoio. São mais 260 famílias impactadas diretamente com estas doações.

Intercâmbio entre os coletivos de Favela

Essa conexão é muito importante para que os coletivos possam levar um pouco da metodologia que estamos usando e funciona super bem. Ao mesmo tempo também trazem novas idéias. Nós ensinamos e aprendemos muito.

Em meio a Pandemia estamos criando novas oportunidades de conexão entre as favelas através dos coletivos e está sendo uma experiência incrível.

Em Junho iniciamos uma nova forma de atuar com o nosso coletivo e “abrimos” para que outros coletivos pudessem passar um dia inteiro com a gente, entendendo todo o processo e trazendo novas abordagens. Nós ensinamos e aprendemos muito.

#1: @jacacontracorona
Dia 14/06 foi o dia do pessoal do @jacacontracorona participar da ação com a gente. A ação foi no Morrinho e distribuímos 150 cestas básicas e 150 kits de limpeza/higiene.

#2: @frentemare

Em 16/06 foi o dia do pessoal da @frentemare participar da ação com a gente.

A ação foi na Região da Quinze, distribuímos 150 cestas básicas e 150 kits de limpeza/higiene.

#3: @coletivofalaakari
Em  04/07 foi o dia do pessoal da @coletivofalaakari participar com a gente na ação. Distribuímos 150 cestas básicas e 150 kits de limpeza/higiene.

#4: @gabinetedecrisedoalemao⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O quarto coletivo que esteve com a gente foi o @gabinetedecrisedoalemao.⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Em 09/07 fizemos uma ação em conexão com o @gabinetedecrisedoalemao. Distribuímos 150 cestas básicas e 150 kits de limpeza/higiene na região do Pantanal .

Cidade de Deus

por Yasmim Guastini

Cidade de Deus é um misto de emoções, realidades e vivências.
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Em um mesmo Bairro é possível ver casas, ruas e moradias totalmente diferentes. Asfalto e lama, tijolo e madeira, rua e esgoto. Falta acesso ao básico e quando vamos nas ações percebemos o quanto é gritante essa diferença e ao mesmo tempo triste.
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Nós, enquanto Frente CDD temos uma missão que está sendo concluída com sucesso, mas infelizmente não podemos lidar com todas as faltas que existem na nossa favela. Fica o nosso pedido de socorro e exposição da realidade que muitas vezes passa despercebida ao longo dos dias.
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Nem tudo são flores e tá tudo bem não ser. Existe uma Cidade de Deus que não é mostrada em muitos meios de comunicação, mas está lá, tem vidas e famílias precisando de ajuda
O nós por nós e pelos nossos é isso! Sentir, viver e se importar.

Janelas

por Yasmim Guastini – fotos: @thlima_photo

Janelas são esperança, um olhar pro novo, representam a liberdade. Em meio a Pandemia as janelas muitas vezes se tornam uma libertação momentânea, a partir da visão.

Elas são a perspectiva de um novo olhar pro mundo. Você nunca vai encontrar a mesma coisa, sempre haverá um novo detalhe e visões diferentes vistas de uma mesma janela.

A vida é sobre detalhes. E as janelas uma perspectiva nova da vida, todo dia.

Durante nossas ações batemos nas portas de cada uma das casas, mas muitas vezes vemos pessoas nos observando pelas janelas.

Não sabemos ao certo o que passa na mente de cada uma dessas pessoas. Só o que sabemos é que cada janela tem uma pessoa e cada pessoa uma história.

Esses são alguns registros das janelas que contam histórias em nossas ações.

Já parou para pensar o que você enxerga da sua janela e o que isso representa pra você?

Facebook: https://www.facebook.com/frentecdd/

Nathan Borges

Integrante da Frente CDD (Cidade de Deus) – RJ

vídeo:


sobre os Diários da Pandemia:

  • Embora seja tb um trabalho jornalístico, se propõe a muito além disto.
  • Tem como objetivo principal tecer uma rede de comunicação entre as diversas lutas localizadas.
  • De modo a circular as experiências, para serem reciprocamente conhecidas numa retro-alimentação de auto-fortalecimento.
  • Não se trata de tão somente produzir matérias, e sim tornar as matérias instrumento para divulgar conteúdo capaz de impulsionar os movimentos.
  • Em suma: colocar a comunicação a serviço das lutas concretas.

ver também em Diários da Pandemia:

Frente CDD: Cidade de Deus (RJ)

Movimento Unido dos Camelôs – MUCA-RJ

na linha de frente – Alto Xingu

Wesley Teixeira – Movimenta Caxias (RJ)

Opetahra e a ressurgência do Povo Puri

Luciene Silva e a Rede de Mães da Baixada Fluminense (RJ)

“Sim! Eu Sou do Meio” – Belford Roxo (RJ)

junto ao Povo da Rua no Rio de Janeiro (RJ) – 02

na tríplice fronteira Norte (Brasil-Colômbia-Peru) (AM)

KM 32 – na profundidade da periferia – 02

na linha de frente – Salvador (BA)

Morro do Sossego, Duque de Caxias (RJ) – 02

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