por Mestre Joelson Ferreira
E no encontro das águas entre o Rio Negro e Solimões desembocando no Rio Amazonas tivemos a oportunidade de participar à convite das professoras Luiza Dias Flores, Mariana Galuch e Marcia Calderipe do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFAM), em parceria com a Coordenação de Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas, do Encontro de Saberes: Ecos da Terra, Futuros Ancestrais, realizado entre os dias 25 e 28 de março de 2026, nas dependências da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus/AM.
Um encontro de saberes e sabores onde encontramos a força do povo da Amazônia, a força das águas e dos rios e pudemos dar início à nossa grande caminhada. Nossa grande caminhada é trabalhar para que a gente possa nos reencontrar: os povos originários, o povo negro, o povo da periferia e os povos da floresta para religar o que a natureza sempre cultivou e trabalhou por milhões de anos. O bioma mata atlântico e o bioma amazônico sempre estiveram ligados do Oiapoque ao Chuí e com o processo da escravidão e colonização com as grandes plantações da cana de acuçar, se perderam. Então nossa tarefa é trabalhar para religar esse sonho que é o sonho de juntar a Mata Atlântica e a Mata Amazônica. Então, nesse sentido, estivemos reunidos por 4 dias para dialogar e, principalmente, entender os saberes ancestrais que tem esses dois biomas. O bioma amazônico com sua diversidade de povos e o bioma mata atlântico com uma diversidade de povos; a diáspora tupi que foi da floresta amazônica até São Paulo e encontrou os povos guarani que juntou esses três povos para buscar a Terra Sem Males – (Yvy marã e’ỹ em guarani) – então, nesse sentido agora com a emergência climática, nós precisamos urgentemente reunificar esses povos e restaurar não só a floresta, mas restaurar os nossos laços milenares para a defesa desses dois territórios.
Os povos originários sabem da importância disso: da terra e do território. O povo negro, uma parte ainda não entende, que estão na Babilônia e nas grandes cidades do Brasil a nossa relação com a terra e o território. É preciso fazer um trabalho grandioso de conscientização que sem terra e sem território o povo negro não terá liberdade. Então nós caímos no engodo da revolução francesa e esse sonho foi utópico e idealista e nós não conseguimos realizar. A tarefa nossa que acreditamos na princesa de que liberdade sem terra e sem território iria resolver nossos problemas, então agora mais do que nunca nessa emergência climática nós precisamos voltar e refazer a nossa aliança histórica, nossa aliança importante para que a gente possa de novo realizar esse grande sonho que é o sonho da terra e do território. Todo negro, toda preta tem que ter terra para morar e terra para plantar. Então, nesse sentido a liberdade só será possível com esse princípio; principio da terra e do território. Então, nesse encontro da Amazônia foi um encontro que podemos reviver esse sonho. Por isso, convocamos a todos e todas a reviver esse sonho e buscar esse sonho e lutar para conquistar esse sonho. Lembrar, terra e território é poder e poder ninguém ganha, poder a gente conquista. Então, convocamos todos e todas para enveredar nesse sonho e fazer dessa nação potente, onde juntos nessa aliança estratégica com os povos originários e os negros e os povos de periferias, da cidade, que estão em busca de uma terra e de um território para viver e ser feliz. A busca da Terra Sem Males volta em pleno século XXI a todo vapor e toda a esperança que nós queremos construir um mundo melhor em que caiba todos os povos.
É preciso urgentemente tanto religar esses biomas como também cuidar desses biomas e cuidar do povo, porque nos entendemos que só essa aliança estratégica será capaz de resolver os dilemas da humanidade. Nós aqui do Brasil temos uma tarefa grandiosa que é unificar os nossos povos para a busca da Terra Tem Males, essa luta contínua desde os povos tupis, os povos originários que nunca perderam essa esperança.
Que todos ressurjam de novo com essa mesma esperança!
Viva o encontro de saberes e viva a esperança!
Viva a Mata Atlântica e a Mata Amazônica Viva os povos em luta!
Viva a Teia dos Povos!
