Cientistas e autoridades ambientais vêm discutindo, ao longo dos dias, a possibilidade de um novo episódio do Super El Niño nos próximos meses.
A última aparição do El Niño foi entre maio de 2023 e abril de 2024, considerado um dos mais intensos da história. Especialistas afirmam que esse próximo episódio, que tende a surgir entre maio e julho e durar até 2027, pode ser três a cinco vezes maior que o anterior.
O El Niño é um fenômeno climático que altera padrões de chuvas, ventos e aumenta temperaturas. Com esse aprofundamento da crise climática, ocorrem secas prolongadas, enchentes, queimadas e perda da biodiversidade. Quando esse fenômeno é intenso, é nomeado de Super El Niño.
As previsões recentes da NOAA, agência climática dos Estados Unidos, indicam que há uma probabilidade de 96% de ocorrência de um El Niño este ano. No Brasil, os efeitos do El Niño costumam ser sentidos de maneiras diferentes em cada região. Enquanto o Norte e parte do Nordeste tendem a enfrentar períodos de estiagem e temperaturas mais elevadas, o Sul e o Sudeste geralmente registram aumento das chuvas e maior ocorrência de eventos climáticos extremos.
Embora seja um fenômeno climático natural, cientistas alertam que seus impactos estão se tornando mais intensos em razão do aquecimento global. O aumento da temperatura média do planeta, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pela degradação dos ecossistemas, está alterando o equilíbrio climático da Terra e aumentando a frequência de eventos extremos.
Os efeitos serão sentidos por toda a sociedade, mas recaem principalmente sobre os povos que dependem diretamente da terra, da água e dos ciclos naturais para a subsistência e a produção. A irregularidade das chuvas ameaça a produção de alimentos, compromete o acesso à água e aumenta o risco de incêndios florestais. Ao mesmo tempo, eventos extremos podem provocar perdas de lavouras, erosão do solo e danos às comunidades.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o foco não deve ser o pânico, mas a preparação. A ciência climática trabalha com probabilidades — e os alertas atuais são, acima de tudo, uma oportunidade para antecipar ações. Governos, defesa civil, agricultores e comunidades podem e devem se preparar com antecedência: atualizar planos de emergência, proteger áreas vulneráveis, orientar pequenos produtores, reforçar sistemas de saúde e assistência social. Prevenir custa menos do que reconstruir. Se o El Niño vier com intensidade moderada, a preparação terá sido útil; se vier forte, poderá salvar vidas e reduzir danos.
Os povos que cuidam da terra seguem construindo caminhos de resistência e demonstrando que a solução para a crise climática passa necessariamente pela proteção da natureza e pelo respeito aos modos de vida tradicionais.
