Posted on: 8 de março de 2021 Posted by: arkx Brasil Comments: 0

Localizada desde 2010 na periferia de Campinas (SP),
a Comunidade Feminista Menino Chorão tem um trabalho de agroecologia e feminismo que pode ser
uma inspiradora referência em nosso Caminhar para a Autonomia.

Pandemia

Quando a pandemia atacou, atingiu todo mundo, e eu descobri na época que tinha oitenta mulheres desempregadas.

Fiquei muito apavorada, entrei em desespero. Fui procurar os amigos prá ajudar essas mulheres, porque entendi que nós, a mulherada, o povo, não íamos morrer de coronavírus. O povo ia morrer de fome. Eu não queria que isso acontecesse em pleno séc. XXI.

Eu encarei uma senhora fazendo um caldo de fubá para dar pros seus filhos. Na casa do lado, um outro senhor já estava tomando um pão com chá, um pão seco, aquilo era a janta dele. Na outra casa, uma mulher fazendo uma farofa de três ovos prá janta das criança, que não tinham comido nada durante todo o dia.

Eu me desesperei, imaginei que teria muitas pessoas na mesma situação. Eu disse, isso é só o que eu vi, e o que eu não vi?

No dia seguinte a gente montou um grupo de mulheres, chamado Grupo Local Combate, prá combater a pandemia.

Nesse grupo cada duas mulheres iam tomar de conta da rua, íam trazer as demandas do bairro, das outras mulheres.

Foi assim que as mulheres trouxeram as 80 mulheres desempregadas, todas mães de família, sem marido.

E aí foi onde eu fiquei mais doida.

Fui pedir uma ajuda aos amigos, aí me indicaram a Pertim. Eles vieram prá trazer os alimentos.

A gente foi na horta, tinha bastante coisa. Tinha berinjela, abobrinha, mandioca, bastante quiabo, batata-doce, cheiro verde, nós tínhamos muito cheiro verde, alho poró, feijão andu.

E demos tudo isso para aquelas mulheres que estavam sem nada.

Só que aquilo ali era pouco. Não ia ter mais. Porque a gente não esperava.

Da horta à agrofloresta

E essa terra tem cinco anos que eu testo ela. Passei cinco anos fazendo teste biológico plantando uma coisa aqui, outra coisa ali, prá ver o desenvolvimento. Quanto tempo dava prá sair alguma coisa prá comer.

E fui indo, fui indo, fui cuidando. No começo não tive ninguém me apoiando, nem os próprios moradores me apoiaram.

Todo mundo me chamava de louca. Que aquilo ali não dava nada, a terra era muito seca, tinha muito vento. Mesmo assim eu não escutei, eu insisti.

E fui, fui indo, fui indo. E me senti orgulhosa quando deu prá matar a fome de muita gente com o que já tinha plantado.

Eu falei que tinha planos de plantar, comidas permanentes, frutas. E que não precisasse de água, porque nós temos um problema muito grande de água. Nós não temos água aqui.

Queria expandir. Mas sozinha não dou conta.

Aí o Rafael Lama resolveu dar o curso de agrofloresta para as próprias mulheres. Para incentivar a agricultura familiar. E mostrar que aquela terra de onde já se tirara tanta coisa, podia ser tirado muito mais.

E a gente já está comendo feijão, milho, daquela agrofloresta.

Deu tudo certo. É uma coisa que até agora não caiu a ficha, que é real. Parece até que estou sonhando. Que tudo isso é um sonho bom.

Pertim e Menino Chorão: fértil aliança

Parte 1

Lembro do olhar eufórico e da voz séria do Rafael falando: “Julia, você não tem noção do que eu vivi.”

Ele voltava da primeira entrega de cestas no Menino Chorão.

Em Abril de 2020, por intermédio de conhecidos, chegamos até a Maria do Carmo, líder da Comunidade Menino Chorão. Com a pandemia, a maioria das mulheres havia sido dispensada do serviço e estavam em uma situação de extrema vulnerabilidade.

Levamos 25 cestas de alimentos orgânicos em mãos e uma cabeça cheia de curiosidade.

Na entrada, um desfile de mulheres prontas para nos receber e atrás delas uma placa: “futura horta”.

Ao entrar fui surpreendida pelo presente. Entre bananeiras, alfaces e mandiocas a fertilidade era palpável.

Senti naquele momento que era uma oportunidade imperdível e queria fazer barulho.

Começamos a ter um encontro semanal aos sábados pouco a pouco, fomos abrindo portas.

Percebemos que elas determinavam a divisão dos alimentos de acordo com as necessidades de cada família, ou seja, era mais interessante levar em caixas de feira do que em cestas fechadas.

Elas interagiam e se sentiam mais a vontade de admitir do que não sabiam ou que tinham uma receita incrível para compartilhar. Introduzir hortaliças, legumes e noções alimentares diferentes era um processo.

Um dia voltamos com doce de mamão verde, foi bem legal.

Sem conhecimento teórico tinham em si princípios de partilha similares a uma das formas mais modernas e antigas de escoamento agrícola, as Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs).

Aprendi na prática o que eu só imaginava na teoria. Entendo que esses princípios merecem inclusive discussão detalhada em outro momento.

Percebemos que tínhamos que cultivar mais do que assistencialismo.

Somos apaixonados por comida e percebemos o alimento enquanto a primeira manifestação de abundância nesse mundo. Decidimos então, implantar uma horta com uma mistura do que já tínhamos observado que era hábito com um toque agroflorestal.

Organizamos um mutirão da Pertim com a Fazenda Malabar e convidamos todo mundo da comunidade que a gente conhecia.

Vale colocar que levamos máscaras, doadas pelo projeto @mascarasparatodos desde a primeira entrega. Deixamos sempre algumas à disposição para quem quisesse chegar, ver o que era aquilo.

Acordamos com a Carmen que queríamos disponibilizar um espaço aberto e que dependesse da colaboração.

Na noite anterior recebi dois conselhos: ir com suas mãos e pés a serviço do momento e levar meus olhos de ver e ouvidos de ouvir, atenta e presente.

Senti que estava no lugar certo com as pessoas certas. Como quando jogamos uma pedrinha da água e reverbera.

Depois de algumas conversas sobre o que aconteceu era como se tivéssemos várias faixas diferentes que compunham uma forma final comum.

O que acontece quando a gente leva beleza e abundância para um lugar que é cria da desigualdade e da escassez?

Parte 2

Com a cabeça nas possibilidades, fomos tomados pela realidade.

Enfrentamos incêndios, falta de água, gente extenuada, anos de lixo acumulado. O lixo não fica só no chão, fica na cabeça também.

É difícil ouvir uns jovens brancos falando que você tem que comer melhor e orgânico quando a vida inteira a alimentação era o que dava.

É paradoxal pegar a enxada no sábado de manhã quando você lutou a vida inteira para fugir desse destino.

Construímos uma cultura que acredita que quem trabalha no campo é porque não tem outra opção. O êxodo rural não foi só um fenômeno físico consequência da industrialização. Foi um projeto político e social muito bem estruturado.

Pessoalmente, acredito na ordem da natureza, as leis já estão dadas, cabe a nós observar, aprender e catalisar.

Uma das coisas mais lindas de se ver foi a rede sendo tecida com a contribuição de cada um que pisava lá. Mesmo quem pisava em cima de muda.

Comecei a ansiar aquele encontro, a imaginar o próximo passo. Já tínhamos observado e interagido com o território.

Depois de uns dois meses eu voltei de uma visita com doce de mamão verde orgânico. Esse mamão veio do Terra Viva, uma rede de agricultores familiares regenerativos assentados na região de Sorocaba-SP e veio parar nas mãos dessas mulheres em Campinas através das nossas doações.

Eu nem gosto muito de doce de mamão mas aquele não tinha sabor, tinha sonho.

Em Agosto de 2020, a Pertim comprou almeirão e cebolinha do Menino Chorão. Levamos parte dessa colheita para Brasilândia, era a periferia campineira levando a melhor comida do mundo para a quebrada paulistana. Outra parte foi nas cestas vendidas, no centro de São Paulo e em Jundiaí.

Foi a materialização de um sonho coletivo.

Mostramos, principalmente para nós mesmo, que não ia ser fácil mas que era possível.

Quando fomos pegar a colheita, vimos os girassóis floridos pela primeira vez. Me mostrou que a segurança alimentar é o objetivo, mas que podemos proporcionar um espaço belo e aconchegante.

Tinha mais cores no pôr do sol naquele dia.

Ainda sofríamos com a constância da presença, uma horta é exigente e carente. Tem que ter alguém presente diariamente com olhar atento para o manejo e irrigação.

Fora isso, tínhamos que nos comunicar internamente, com a comunidade e suas lideranças e necessidades, com os clientes e público externo como um todo.

Com o passar do tempo, entendemos que o plantio de hortaliças se mostrava incoerente com a disponibilidade de água e capacidade de movimentação e comunicação que éramos capazes.

Além disso, confesso que estávamos cansados. O mundo pandêmico contrapunha desejos e possibilidades o tempo todo.

Acreditamos profundamente que tínhamos que plantar água. Só que eram tantas variáveis e etapas que ainda mantínhamos isso no planejamento interno.

O financiamento dessa ideia era o primeiro passo e estávamos nos preparando, sabendo que isso exigiria muito do coletivo e que precisávamos de um tempo até conseguir começar.

Há quem acredite que um dos grandes segredos da vida é acreditar. Chegam a dizer que quem acredita sempre alcança.

Ainda bem.

Parte 3

Sinto a necessidade de fazer um pequeno manifesto antes de concluir essa parte desta história.

Acredito na sucessão ecológica. As espécies pioneiras têm milhões de anos de sabedoria e adaptação para sobreviver e prosperar. É com elas que aprendo a diagnosticar.

Acredito que em terra de lixo e queimada tem dívida a ser paga. Preciso trazer energia de volta para o sistema como um todo.

Alimento é energia. Girassol chama abelha, mamona cria terra e formiga poda. É com eles que aprendo a catalisar.

Isso posto, voltemos ao dia em que Rafael como quem anunciava a chegada da chuva disse que tinha conseguido um financiamento integral para implementarmos uma agrofloresta no Menino Chorão.

Eu já era familiarizada com a receita do bolo regenerativo, mas confesso que não conseguia juntar as partes.

Chamamos Rafael Furtado, o Lama, e a equipe Malabarista para prestar uma consultoria.

Com eles desenhamos e executamos o melhor sistema que conseguimos. Com foco em roças de milho e mandioca com árvores frutíferas como goiaba, manga e amora que facilmente viram geléias e polpas.

Levamos a Fiona, o trator da Malabar, de caminhão até lá. Começamos a revirar a terra e dando crédito onde crédito merece ser dado, o Lama caprichou demais. Quebramos a sementeira do capim e ajudamos o solo a respirar.

Nesse dia comi feijão com maxixe e leite de coco pela primeira vez, que delícia!

Percebi a diferença entre entender o problema e ser capaz de executar uma solução. Também aprendi que tem movimentos que não tem controle, tem manejos e esse era um deles.

Sabíamos que para dar o próximo passo tinha que ter mais energia. Ativamos nossa rede e por meio de um curso de implantação fomos capazes de plantar e de compartilhar conhecimento, histórias e comida. Foram três sábados transformadores.

Entendam, somos um amontoado de gente que está se conhecendo agora e tentando algo pela primeira vez. Desafiamos limites pessoais e coletivos.

Foi incrível ver aquela quantidade de gente disposta. Tinha cria da terra e do apartamento. Em tempos de isolamento social aquilo me trouxe esperança.

Desde então, o verão tem me surpreendido cada vez mais.

Na primeira semana de manejo o capim mostrou sua força e passamos o dia capinando.

Dali a 15 dias os girassóis reinavam na paisagem. Duas semanas depois disso, era a vez do milheto despontar.

Os eucaliptos já estavam marcando presença na paisagem. Dois meses atrás era tudo mato. Agora as crianças perguntavam se eu estava na florestinha.

Já colhemos sementes de girassol, maxixe e feijão.

E agora?

Por Julia Camargo

O início

Eu fui a primeira a entrar na comunidade. Tem dez anos que a gente tá na comunidade, vai fazer onze anos.

Eu morei lá sozinha um bom tempo. Até as outras virem. A gente tinha sido despejada de uma outra ocupação. E dessa ocupação a gente foi prá uma outra ocupação. A gente ocupou umas casas do conjunto habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. A gente ocupou 49 casas.

Eu fui a primeira a ser desapropriada. E fui lá prá esse terreno. E fiquei lá. Avisei as meninas onde eu estava. Quem quisesse ir pra lá, tinha espaço. Aí foi todo mundo indo. Quando todo mundo foi sendo despejado, todo mundo foi indo. E eu fui acolhendo todo mundo.

Aí quando começou as mulheres se casando, outras mulheres chegando com o marido, começaram os problemas.

E nós não podíamos contar com os homens. Tudo que a gente pedia prá eles, eles botavam dificuldade prá gente.

Aí eu entendi que nós não precisávamos de homem. Nós sozinhas podíamos se virar. Nós já tínhamos feito tanta coisa sem homem, então nós não necessitávamos mais de homem.

Homem num ia fazer falta pra nós. Nós num íamos sentir falta de homem. Nós não íamos sentir falta, porque nós tínhamos capacidade prá tudo.

Chamei as mulheres, e disse: vamos trabalhar, vamos lutar prá que nós seja independente. Quem já tem marido tudo bem, quem não tem continua independente. E nós não precisa de homem. Você não precisa do seu marido. Vamos prá frente.

Autonomia alimentar

E a idéia da horta era trazer alimento. Prá gente ter um alimento saudável. Porque a nossa horta é orgânica, não tem nenhum tipo de veneno.

Aí eu comecei testando a terra. E primeiro plantei milho, quiabo e maxixe. E abóbora. Aquela abóbora grandona. Aquele jerimum do norte, bem comprido. Faz doce.

Mas era só um teste. O que eu fui arrumando fui botando na horta. Fui plantando sementes que eu fui ganhando.

Fui plantando. E fui vendo como era que tava desenvolvendo.

E gente ía marcando tempo, quantos dias dava prá gente tirar pra comer. E a idéia era a gente ter o alimento saudável prá gente mesmo. Nem esperava se tornar uma coisa tão grande como tá hoje.

Primeiro fizemos os canteirinhos, porque a verdura é muito cara aqui na região. Tem uma feira mas  as coisas são caríssimas. E além de que não é saudável, é tudo produto envenenado.

E eu tive a ideia de que nós ia ter os nossos próprios alimentos sem veneno nenhum.

Tinha muita formiga. As meninas começaram a querer botar veneno prá matar formiga. Eu não aceitei.

Primeiro aquelas formigonas de roça que cortam as folha, eu botei fumo. Misturei fumo com água. E deixei sete dias o fumo dentro da garrafa. Depois botei nos ninhos de formiga.

Matou as formigas que comiam as frutas, as verduras. Matou tudo. Ficou só aquelas outras formiguinhas.

Assim foi e tá indo até hoje.

Chorão

O cantor Chorão [do Charlie Brown Jr.] foi o primeiro homem a nos ajudar e nos reconhecer como mulheres de luta.

Na época a gente nem sabia que ele era cantor, porque nós não tinha energia na comunidade, ninguém tinha celular. Nós não tinha acesso a internet, jornal, não tinha nada. E daí era aquela luz no gato, pouquinha, fraquinha.

Foi quando a gente foi pedir ajuda pros moradores de rua. E ele tinha um trabalho com os moradores rua. Aí o pessoal dele veio aqui atrás dos moradores de rua dele, que estavam aqui com a gente.

Ele veio ver pessoalmente conhecer a situação e começou a nos ajudar. Ele quem trouxe as primeiras marmitas, as primeiras cestas básicas. As primeiras telhas, quando os barracos passaram a ser feitos de madeira, que ainda era tudo de lona.

E foi ajudando a gente a cuidar da comunidade. A área do campo foi ele quem deu a idéia de que a gente tinha que deixar aquela área vazia, prá no futuro ser uma praça, um posto de saúde, um campo de futebol. Algo que servisse prá toda a comunidade. Até hoje a área ainda tá vazia.

Numa das vezes que ele veio, um jovem reconheceu ele. A gente até achou que era a brincadeira do moleque. Ficamos zoando dele.

Mas no dia que ele veio, ele falou assim:

“- Sou cantor sim, mas eu não tôu aqui como cantor. Tôu aqui como amigo de vocês. Porque eu faço trabalho voluntário e vou abraçar a causa de vocês. Tôu aqui pra ajudar vocês, mas não quero que vocês falem que eu tôu aqui dentro, que eu faço trabalho aqui dentro. Prá evitar de alguém tentar se aproveitar disso. Porque tem muito político que se aproveita do trabalho dos outros, prá aparecer. Eu não mexo com política.”

Aí tudo bem, ele ficou vindo. Mas logo, logo ele morreu.

Quando ele morreu, foi a época que ainda não tinha nome a comunidade. E como tinha que dar um nome prá comunidade, a gente botou Comunidade feminista Menino Chorão.

Em homenagem a ele.

Olho por olho

fonte: A guerreira que luta por direitos e contra a violência

Com o passar do tempo, a comunidade foi crescendo, e as mulheres começaram a trazer os companheiros, e assim um novo problema surgiu: a violência contra a mulher.

Carmen conta que ela e mais um grupo de amigas começou a ficar atenta às gritarias e bates bocas.

 “No início era eu e mais algumas amigas, depois fomos crescendo e formamos um grupo de defesa enorme, com mais de cem mulheres da comunidade. Procuramos conversar com o agressor e mediar o problema, mas isso não adiantava e a violência continuava a acontecer. A polícia não tomava providências. Então, não tivemos dúvidas: começamos a descer a chibata e demos muita porrada nos agressores”.

Outra tática antiviolência adotada pela Comunidade foi a lei do apito. “Aqui apito não é brincadeira de criança, é pedido de socorro”, diz.

A ação consiste na comunidade sempre estar atenta a indícios de violência e usar o apito para alertar sobre o ato. Mesmo assim, os casos de violência contra as mulheres ainda aconteciam.

Segundo Carmem, o que de fato resolveu a situação foi greve de sexo, uma ideia que Carmen trouxe de uma Marcha Mundial das Mulheres da qual havia participado.

“Nesse encontro falavam que o homem transar com mulher a força era estupro. Cheguei e passei a informação para o grupo de mulheres: vamos usar isso contra eles. Isso se espalhou pela comunidade e em pouco tempo, todas estavam usando essa tática em qualquer ato de violência contra elas. Os homens ficaram muito bravos comigo e até hoje têm medo da greve do sexo”.

Foi assim que os casos de violência contra a mulher zeraram durante dois anos.

ver também:

O pacto contra violência doméstica na comunidade Menino Chorão: vitórias efêmeras

Pamonha

A idéia da pamonha foi do pessoal da Pertim. Porque temos uma cozinha comunitária, que é um sonho nosso de dez anos.

A gente conseguiu fazer essa cozinha o ano passado. Ela não foi nem inaugurada ainda. Nem batizada.

Eu falei prá eles que a idéia era fazer alimentos que saiam da nossa horta, do nosso quintal. Aí como eu tava na idéia de plantar milho, eles deram a idéia de com o próprio milho fazer as pamonhas. E serem vendidas prá gerar renda prás mulheres.

Foi quando o Rafael Minhoca teve a idéia de trazer o pessoal da Fazenda Malabares, e o outro Rafael, o Lama que é biólogo, dar um curso de biologia e plantar milho com as mulheres. E através desse milho fazer as pamonhas.

E mostrar prás mulheres que dava pra tirar renda daqui mesmo. E assim rolou.

A gente plantou o milho, colheu o milho daqui. E aqui elas fizeram a pamonha. E deu certo. Cada uma ganhou diária de R$ 100.

A Pertim trouxe os milho deles, que o nosso milho era pouco.

Tivemos uma encomenda grande de pamonha. Foi duzentas pamonhas por dia.

Foi uma satisfação muito grande. As mulheres estão bem satisfeitas, porque elas ganharam dinheiro sem sair de casa, aqui mesmo, perto dos seus filhos, né? Foi um grande exemplo e ficou pro aprendizado delas.

A gente vai plantar mais milho, prá no próximo a gente já ter mais milho plantado.

Daqui uns tempo vai ter milho. Os milhos já estão saindo as bonequinhas. Daqui uns dois meses já temos outro milho, né? Daqui mesmo.

Foi muito gratificante, foi uma satisfação imensa. E foi o primeiro trabalho na cozinha.

Vai ser chamada de A Cozinha das Pretas. O barracão chama-se Oficina Cultural da Mulher. A cozinha fica do lado. Já foi decidido o nome: A Cozinha das Pretas.

vídeo:

Carmen Sousa
Liderança na Comunidade Feminista Menino Chorão.


sobre Caminhar para a Autonomia:

  • aborda casos concretos de comunidades e territórios com lutas e experiências em seu processo de conquistar autonomias;
  • um passo além dos Diários da Pandemia, até mesmo porque muito embora a pandemia prossiga é impositivo florescer territórios para além dela;
  • envolve também um diálogo com o livro “Por Terra e Território: os Caminhos da Revolução dos Povos no Brasil”, com as caminhadas que este propõe, para divulgar não só situações já existentes como aquelas que surjam a partir de sua leitura.

acesse a série completa: aqui


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