Posted on: 22 de junho de 2026 Posted by: Teia dos Povos Comments: 0

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou para a possibilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte nos próximos meses. As projeções apontam mais de 80% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer no segundo semestre de 2026 e mais de 90% de chance de permanecer ativo a partir de agosto, com possibilidade de se estender até o início de 2027.

Os sinais já preocupam pesquisadores. No Oceano Pacífico Equatorial, as temperaturas registradas abaixo da superfície apresentam anomalias de até 4°C acima da média, um dos principais indicadores da formação do fenômeno. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a situação como um alerta climático urgente.

Os primeiros impactos devem ser sentidos com maior intensidade na Amazônia e no Nordeste, regiões onde rios, nascentes e ciclos de chuva sustentam a vida de milhões de pessoas. Em muitos territórios, as mudanças no clima não chegam apenas como números ou previsões meteorológicas: elas aparecem na diminuição da água, na dificuldade de produzir alimentos e no aumento dos riscos ambientais.

Falar em preparação para o El Niño não significa apenas acompanhar previsões meteorológicas ou esperar a chegada dos eventos extremos. Os impactos do fenômeno tendem a ser mais severos em regiões onde rios, nascentes e áreas de vegetação já sofrem pressão constante, seja pelo desmatamento, pela degradação ambiental ou pela expansão de atividades econômicas que alteram o equilíbrio dos ecossistemas.

No Norte e no Nordeste, onde a previsão aponta para redução das chuvas e aumento das temperaturas, a preocupação não está apenas na possibilidade de uma nova estiagem, mas nos efeitos acumulados de anos de pressão sobre os territórios. A diminuição da disponibilidade de água afeta a produção de alimentos, aumenta o risco de queimadas e compromete atividades que dependem diretamente dos ciclos naturais.

Por outro lado, experiências desenvolvidas por comunidades indígenas, quilombolas, camponesas e povos tradicionais demonstram que a proteção das nascentes, a conservação das áreas de mata e a diversificação da produção agrícola podem ampliar a capacidade de resposta diante das mudanças climáticas. Em diferentes regiões do país, essas práticas têm contribuído para reduzir a vulnerabilidade dos territórios tanto em períodos de seca quanto em momentos de chuvas intensas.

O avanço do El Niño também recoloca em debate os modelos de ocupação da terra e de produção de alimentos. Enquanto sistemas dependentes de monoculturas tendem a sofrer mais com as oscilações climáticas, formas de produção diversificadas costumam apresentar maior capacidade de adaptação diante de eventos extremos cada vez mais frequentes.

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