Posted on: 14 de outubro de 2020 Posted by: arkx Brasil Comments: 0

1. Nas últimas décadas, boa parte da ação das esquerdas militou em dois campos distintos:

(a) o das políticas de “inclusão-social-sem-mudanças-estruturais”, e

(b) o do velho “doutrinarismo”, crítico ferrenho do primeiro.

2. As políticas de “inclusão-social-sem-mudanças-estruturais” foram implantadas durante os “governos do PT” por duas vias:

(a) expansão do consumo: por mecanismos de transferência direta de renda, de valorização do salário mínimo e de expansão do crédito, e

(b) via “reconhecimento social”: por meio de políticas de “cotas”, da criminalização de práticas preconceituosas e de outras políticas “afirmação identitária”.

3. O Velho “doutrinarismo” continuou o mesmo de sempre: críticas às políticas de “inclusão social” somadas a exortações abstratas à “revolução sob a direção da classe operária”.

4. Mas sempre houve um outro campo de luta, cuja luta de “resistência” implicava um novo tipo de produção, de educação, de organização política etc.

5. Exemplo disto é a “Teia dos Povos”, que vem amadurecendo um conjunto de ideias novas – com um, a meu ver, inegável potencial revolucionário –, nascidas de uma prática política e de uma reflexão teórica bem definidas.

6. A prática política da “Teia” vem da luta travada nos diversos assentamentos do MST. A partir destas lutas, os companheiros compreenderam a necessidade de romper com as práticas capitalistas de produção agrícola. (Valendo-se do conhecimento produzido pela agrônoma Ana Primavesi, os assentamentos dirigidos por eles fizeram a “transição para a agroecologia”, com reais ganhos de eficiência na produção e de qualidade nos frutos da terra, além da proteção do meio ambiente.)

7. A reflexão teórica da “Teia” vem de uma profunda e criativa metabolização da experiência de luta da esquerda e da luta dos “povos” (Cabanagem, Balaiada, Canudos, quilombos, lutas dos índios, do povo preto, do povo pobre das periferias, dos trabalhadores etc.).

8. O que vem resultando desta metabolização teórica e da prática política nos assentamentos – sob o lema “Ocupar, resistir, produzir”) – abre, me parece, novos e promissores horizontes políticos para aquela esquerda que identifica, a um só tempo, os limites das políticas de “inclusão social” e os do “doutrinarismo”.

9. A “Teia dos povos” sabe que a nova sociedade não pode ser a expansão “para todos” da atual sociedade, com o seu eurocentrismo, com a sua financeirização da economia, e com o seus padrões de produção e de consumo. Esta é, a meu ver, a pedra de toque do ideário da “Teia”.

10. Eu recomendo forte e entusiasticamente que todos tomem conhecimento do que diz Mestre Joelson Ferreira, liderança da “Teia dos povos”, no vídeo abaixo…

Luiz Carlos de Oliveira e Silva

participou ativamente da criação do PT e da CUT, liderança de base e integrante da direção no movimento sindical, professor de filosofia.

sobre os Diários da Pandemia:

  • Embora seja tb um trabalho jornalístico, se propõe a muito além disto.
  • Tem como objetivo principal tecer uma rede de comunicação entre as diversas lutas localizadas.
  • De modo a circular as experiências, para serem reciprocamente conhecidas numa retro-alimentação de auto-fortalecimento.
  • Não se trata de tão somente produzir matérias, e sim tornar as matérias instrumento para divulgar conteúdo capaz de impulsionar os movimentos.
  • Em suma: colocar a comunicação a serviço das lutas concretas.

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