Posted on: 25 de novembro de 2020 Posted by: arkx Brasil Comments: 1

    Documentário produzido por estudantes da Universidade Estadual de Santa Cruz retrata a luta do povo Tupinambá no Sul da Bahia pelo direito à terra e território.  

     Îandê Yby: nós somos a terra Tupinambá, 25min56, lançado em 2020, evidencia a reivindicação pela demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença (processo emperrado na esfera Federal), os embates cotidianos contra o racismo e a violência sofrida pelas/os indígenas, frente a um contexto colonial de formações inter-étnicas e as relações históricas, culturais e políticas do povo Tupinambá com a Mãe Terra. 

    São mais de 5000 indígenas organizados em vinte e três comunidades no território Tupinambá, indo do litoral sul de Ilhéus/Ba ao interior até a Serra do Padeiro. Território marcado por um longo histórico de violências colonizadoras, desde as perpetradas por Mem de Sá, no que ficou conhecido como o Massacre do Cururupe quando muitos indígenas tiveram seus corpos assassinados espalhados na praia (rememorada todo ano pelo povo Tupinambá com a Caminhada em Memória aos Mártires do Massacre do Rio Cururupe), passando pela luta de Caboclo Marcelino contra o latifúndio, na primeira metade do século XX. As ações de resistência por autonomia e defesa do território continuam, pois as ameaças por parte do latifúndio, das mineradoras e dos empreendimentos turísticos são constantes.

    O doc é permeado de imagens belíssimas do território e traz entrevistas carregadas de ensinamentos e memórias com lideranças, anciões, crianças e jovens. Cena marcante do documentário é a entrevista com a liderança jovem e rapper Pytuna, ao relatar sua conversa com Cacique Babau da Serra do Padeiro sobre sua identidade: “ele virou pra mim e perguntou, o que você decide ser? O que você é de verdade? Eu virei pra ele e falei: eu sou índio. Ele virou pra mim e falou: Guerreiro, então você não precisa de cadastro nenhum não. Porque aqui dentro da minha comunidade não precisa dessa situação de cadastro não. Porque índio que é índio você vê pela tonalidade de ser”. 

          O bem produzido Îandê Yby: nós somos a terra Tupinambá foi realizado por estudantes do curso de Comunicação da UESC sob a orientação da docente Betânia Barreto. O doc se firma como mais uma arma de resistência ao proporcionar visibilidade e voz às lutas do povo Tupinambá no sul da Bahia.

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